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HISTÓRIA DO CLUBE DE TIRO DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM-ES

Tudo começou quando o Sargento Tadeu da Polícia Militar do Estado, viajou para  sua cidade natal, Teresópolis-RJ em 1993, a fim de curtir umas férias, e lá, foi visitar um clube de tiro com uns amigos. O clube funcionava em convênio com o Tiro de Guerra daquela cidade. O presidente do Clube era um Coronel da reserva do Exército, que por sinal já foi treinador da Equipe Brasileira de Tiro ao Alvo e era Instrutor de tiro daquele clube.
            Sendo muito bem recebido pelo referido Coronel, foi autorizado que pudesse efetuar alguns tiros no clube. Quanta honra! Os tiros foram todos certeiros no centro do alvo. Então a pergunta do Coronel, o que você é? Respondeu o Sargento, sou policial militar. Disse o Coronel, impossível, pois polícia além de não saber nem pegar numa arma, quando vem aqui treinar, atira tudo no chão, oh raça ruim...!
            A maneira como era organizado aquele clube, o ciclo de amizade entre os associados e o mais interessante, a pratica de tiro num lugar apropriado e de maneira segura é que despertou no sargento Tadeu a vontade de quem sabe conseguir filiar-se a um clube ou por que não montar um em Cachoeiro?
            De retorno a  cidade capixaba, não desanimou da idéia, então numa certa noite quando patrulhava a cidade, parou no Dieners Bar para fazer um lanche, quando conheceu a figura de Adolfo Anísio, que olhando para o armamento do militar, começou a falar sobre armas e tiro com o mesmo. Daí então a idéia de se possível reunir alguns amigos cachoeirenses para falar em tiro. Adolfo indicou muitos nomes de pessoas que praticavam tiro em propriedades e gostavam de armas.
            Certo dia, o Sargento Tadeu compareceu a loja de Mario Temporim, a Keco, onde se vendia armas e munições, e muito bem recebido pelo Mário, falou em montagem de um clube de tiro aqui. Idéia muito bem aceita. Então agora o próximo passo era arrumar um local. Uma visita ao Tiro de Guerra  local, o contato foi feito com o Sargento Romildo fassarella, Chefe de Instrução daquele TG, que se interessou pelo assunto e na mesma hora ligou para o Rio e obteve as informações necessárias e o caminho que deveria ser seguido para que  o clube fosse montado dentro da área que do TG utilizava para treinamento. Também sendo passado que era um sargento da PM local, que estava liderando certo grupo de pessoas idôneas com o objetivo em tela,e que inclusive o clube poderia proporcionar melhorias naquela área.
            Então através de muita pressão em cima de Mario da Keco, conseguiu o Sargento Tadeu ir até Campos - RJ, onde lá existia um clube e que de alguma forma, poderiam ser adquiridas informações em como montar um clube de tiro. Mario apresentou o Sargento para Jebara da Palomar que logo não mediu esforços e deslocou com os mesmos até o clube campista, e lá estava sendo realizada tipo uma reforma, portanto algumas pessoas da diretoria estavam por lá. Então logo de cara  foi apresentado o então presidente, Luis Hilário, e dito ao mesmo qual a Razão da visita dos capixabas àquele clube. Daí a conversa imediatamente mudou de rumo, Hilário rapidamente levou os capixabas para os estandes e mostrou toda a estrutura e como funcionava, mostrou a Policia Federal  fazendo treinamento nos estandes, outros atirando de tiro ao prato, o local era uma barulheira só. Então rapidamente  deslocaram para secretaria do clube, onde nas paredes havia varias fotos em preto e branco desde 1949, quando o clube era ainda um clube de caçadores apenas. Quer dizer o pessoal tinha a história deles. Brilhante!
            Logo em seguida, hilário põe uns 5 kg de papeis em cima da mesa e já vai logo explicando como se deveria montar um clube de tiro, o que era necessário arrumou um monte de cópias de documentos, atas de reuniões, como comprarem material de recarga com CR do clube, etc., e, além disso, se ofereceu para vir a Cachoeiro  a hora que fosse preciso para orientar na montagem do clube. Deslocamos de campos já à noite e debaixo de uma chuva, mas com um sorriso elástico.
            Chegado a Cachoeiro, não poderia se esfriar a idéia, então contato com mais pessoa foram sendo feitos, até que certo dia, quando trabalhando na operação fecha fronteira com o Rio de Janeiro, o Sargento Tadeu comandava a operação num Domingo, quando seus soldados trouxeram um elemento branco e gordinho, mais um revolver de seis polegadas inox sem tambor, três caixas de munição e um cinto com portas jets e jets. Assustados tantos os policiais achando ser o elemento pistoleiro e o rapaz que tomara aquela dura. Quando então conversado com o mesmo, a arma estava totalmente legalizada e estava sendo transportada de maneira adequada. O rapaz se identificou como Claudio Cisne  de Mimoso que praticava tiro no Clube de Campos. Daí então foi conversa pra mais de hora. Claudio então foi intimado a comparecer no Sábado posterior no estande de  Cachoeiro para dar uns tiros com o pessoal que estava montando um clube. Assim aconteceu, apresentado o Claudio a Fernão, Elivan, Lucio, Gustavo, Eder e Ëzio Manguaba, Cristian, Adilson e outros, o tiro comeu solto. Os alvos eram feitos de caixas de fogão e geladeira que o sargento pedia nas lojas e lavava pra casa e cortava tudo à mão, uma boa quantidade. Munição era comprada no comércio cada um levava a sua. O barulho era bonito naquele lugar que mais parecia o deserto do Saara de tão quente, sem água e nem uma sombra sequer, com o mato tomando conta de tudo, o abandono era quase que completo salvo . Então, uma amizade forte foi feita entre um grupo de pessoas que todos os sábados compareciam pela manhã para atirar e contar casos e depois tomar uma cervejinha. Não existia coisa melhor.
            Contudo porém, Alegre já estava com seu clube de tiro montado e já estava sendo inaugurado, com tal rapidez que nos deixou interessados. Precisávamos seguir em frente e inaugurar o nosso também. Então, muitos documentos foram preenchidos e mandados para o Rio. Mas o Sargento Tadeu resolveu ir até Vitória pedir apoio a Federação que existia na época e quando lá chegou, deparou-se com um Capitão da PM, como presidente, e que já foi logo de cara indagando, você é de Cachoeiro? Não estou muito satisfeito com vocês, pois estão pensando em montar um clube de tiro e até agora não falaram nada comigo. Já estou sabendo que estão até fazendo competição entre vocês e estão procedendo de maneira ilegal, mas fiquem sabendo que o Exército já foi avisado e baixará por lá  em horas e aí doa a quem doer. Então, respondeu. Não é nada disso seu Capitão, lá em Cachoeiro tem uma meia dúzia de pessoas querendo montar um clube de tiro, só que eles estão se reunindo numa área que o Tiro de Guerra usa e o pessoal da PM e da PC para fazerem treinamentos, e praticado alguns tirinhos só para unir o grupo e chamar mais pessoas, e o pessoal do clube de Campos nos dá uma orientação, e eu vim aqui pra isso, em nome deles pedir ao senhor que nos auxilie em como montar o clube, nós precisamos muito do senhor para que isso seja possível. Hã bão, aí a conversa é diferente, agora estou começando a ouvir a linguagem que eu entendo. Entre aqui meu rapaz tome um café forte e vamos conversar. 
Então meu rapaz ainda bem que você veio rápido porque eu já estava mesmo indo para Cachoeiro montar um clube de tiro na fazenda de um amigo meu, agora posso montar uma sucursal do meu clube  lá e usar o mesmo CGC, até quando vocês conquistarem a independência e adquirir documentação própria, igual fiz em Alegre. Vá reúna o maior número de empresários e comerciantes e me avise que já marcaremos uma reunião para semana que vem e dentro de quinze dias coloco todos para atirar de maneira legal em Cachoeiro. Vocês também, estão todos convidados para um torneio em Alegre no próximo Domingo, leve o maior numero de pessoas, lá haverá sorteio de brindes, venda de armas e equipamentos.
            Ironia do destino, sai o Sargento Tadeu de Vitória, decepcionado e mais uma vez debaixo de uma chuva que parecia que o mundo iria acabar.
            Então no outro dia, reunião de caráter de urgência com o pessoal do clube, é claro que ninguém aceitou tal proposta.
            No Domingo comparecemos em Alegre, levamos um timer que compramos com uma vaquinha que fizemos, eles não sabiam o que era aquilo, então vimos que também não eram tão poderosos quanto pensávamos, fora medalhas que ganhamos e não recebemos até hoje.
            Então, resolvemos ir a Campos pedir orientação ao Hilário, então foi logo dizendo o que era para ser feito e, que não era preciso filiar clube a federação para que ele fosse fundado, pois que liberava o CR era o Exército e nada tinha com federação e . Assim prosseguimos em nosso caminho.
            Então com muita dificuldade conseguimos tirar o nosso CR e marcar o torneiro de inauguração do clube que, em ata já tinha sido fundado em novembro de 1994.  Em julho de 1995, o torneio de inauguração do Clube a pedido do Medeiros em homenagem ao Juiz aposentado João Batista Fraga +, O torneio ferveu de gente, pois apareceram atiradores de Campos e de todo o Espírito Santo. Teve até atirador  de nível internacional. A imprensa marcou presença e o sucesso foi total, Houve um churrasco logo após o torneio e todos gostaram muito. Daí Cachoeiro não mais parou de fazer torneios e festas e esteve sempre saindo para atirar nos mais diversos lugares do Brasil.
            Em Cachoeiro, foram realizadas muitas provas como,  IPSC, 1º Campeonato de Tiro Policial do Espírito Santo, Shotgun (somos os pioneiros no estado na modalidade), Silhueta Metálica, Saque Rápido, NRA, Carabina, Prova de Tiro de Fuzil com o Exercito, e muita confraternização entre desportistas do tiro , autoridades e simpatizantes.
            Com o objetivo de melhorar o nível de instrução dos atiradores do Tiro de Guerra, das Forças de Segurança local que então procuravam o clube como referência, e incrementar as competições do Esporte de Tiro, conseguimos com a Prefeitura a construção das instalações e ampliação dos estandes do clube, obra inaugurada em 1996,  que muito benefício trouxe para Cachoeiro.
            O sargento Tadeu foi presidente por dois mandatos, realizou algumas obras com muitas dificuldades, pois na época não teve ajuda financeira de muitas pessoas, tudo era pedindo muito, mas tanto que a pessoa acabava ajudando para se ver logo livre da perturbação. Posteriormente Robinho, também por dois mandatos, prestando relevantes colaborações, pois uma delas foi importantíssima, como não deixar a equipe de tiro cair por terra e sempre estar incentivando os atletas a viajarem o acompanhando. Robinho sempre foi um grande parceirão de todos nós sócios do clube e também o presidente  Dr. Humberto Viana  trouxe muitas melhorias para o clube inclusive nas instalações, tornando  o local, uma grande área com uma boa estrutura de treinamento.
            A atual diretoria vem trabalhado muito e  colocou  o clube dentro das novas exigências legais, e arrecadou mais sócios, aumentando assim as atividades no clube, estimulando dessa forma a competitividade, treinamentos, provas internas e externas, confraternizações sociais diversas e melhorias das instalações para a utilização do clube, que abriu as portas as forças de segurança do Sul Capixaba e tornou o local apesar de ser um clube particular, de  utilidade pública através de Lei municipal. Dessa forma o clube de tiro vem nesses 17 anos de existência, marcando o enaltecimento do esporte de tiro no Espírito Santo  e estreitando o laço de relacionamento com as forças de segurança, o exército e a comunidade para a extração de matéria-prima em treinamentos e conhecimentos a serem implementados na construção de um mundo melhor.

 

JOSÉ TADEU DA SILVA
            ATLETA

 
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